Pergunte a um gerente se a empresa tem cópias de segurança. Vai dizer que sim, e vai acreditar nisso.
Agora pergunte quando foi a última vez que alguém tentou restaurar. A resposta muda de tom.
O que encontramos
Não é raridade nem negligência. É o que acontece quando um processo automático fica anos a correr sem ninguém olhar para ele.
Discos cheios
A rotina corre, falha por falta de espaço, e ninguém repara. O aviso vai para um endereço que já não existe, ou para uma caixa que ninguém abre.
Cópias que não incluem tudo
Configuradas há anos para as pastas que na altura interessavam. Entretanto a empresa mudou o software de gestão, a base de dados passou para outro sítio, e continua a copiar-se o que já não importa.
Ninguém sabe se existem
Este é o caso mais frequente e o mais perigoso: quando se pergunta onde estão as cópias, ninguém na empresa consegue responder.
Os três erros que mais custam
Cópias numa localização só. Uma cópia guardada no mesmo edifício do servidor protege de avaria de disco. Não protege de incêndio, de roubo, nem de inundação. Redundância não é luxo — é a definição de cópia de segurança.
Ninguém valida nada. O sistema diz que correu. Correu o quê? Ninguém abre, ninguém confere, ninguém tenta.
Discos acessíveis ao ransomware. Este é o que mais dano faz hoje. Se o disco das cópias está ligado à rede, com partilha aberta e sem palavra-passe, o ransomware cifra-o com o resto. A empresa tem cópias, e tem-nas cifradas.
Como se testa a sério
Verificar que a rotina correu não é testar. É verificar que a rotina correu.
O que fazemos nos clientes com contrato são duas coisas diferentes:
Depois de cada cópia, uma verificação de execução — confirmar que o trabalho terminou, sem erros, e que o volume de dados faz sentido.
Todos os meses, um teste de restauro. Escolhe-se material ao acaso e recupera-se de facto, para ver se abre e se está íntegro.
O teste aleatório é o que interessa. Um teste sempre sobre o mesmo ficheiro só prova que aquele ficheiro está bem.
A pergunta que vale a pena fazer
Qual é o bem mais valioso da sua empresa?
Não são os computadores — compram-se em dois dias. Não é o servidor. É a informação, porque é a única coisa que não se substitui. A contabilidade de dez anos, o histórico de clientes, os projectos, os contratos.
Quanto custaria perder tudo isso na segunda-feira de manhã?
Se a resposta for «não sei», já é resposta suficiente para justificar meia hora com quem lhe trata da informática.
Três perguntas para fazer hoje
Não precisa de perceber de informática. Precisa de fazer estas três perguntas e de ouvir respostas concretas:
1 · Dá-me um relatório das cópias efectuadas?
Se não houver relatório, ninguém está a acompanhar. Uma resposta como «está tudo a correr bem» não é relatório.
2 · Onde estão as cópias da minha empresa?
Devem estar em mais do que um sítio, e pelo menos um deles fora das instalações. Se a resposta for uma localização só, tem um problema.
3 · O que está dentro da cópia?
Uma lista, não uma garantia. Se a base de dados do software de gestão não estiver nessa lista, o resto interessa pouco.
Se alguma destas perguntas ficar sem resposta clara, falamos. Nos contratos de assistência, esta vigilância está incluída — e é a parte do trabalho que o cliente não vê acontecer.